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ARTIGOS DE OPINIÃO

O caminho da desumanização

Cada vez mais as pessoas são tratadas por “números” e são esquecidas na “arte” de reformar.

Digo isto porque tenho assistido a algumas ditas reformas na Região, na Terceira em particular, umas em estado latente, outras em curso, de serviços do Governo da República em comunhão com o Governo Regional que potenciam um caminho de desumanização.

São reformas que definem a reestruturação de serviços - entenda-se também extinção – onde se definem novos lugares, onde se estabelecem novas funções, mas onde as pessoas foram propositadamente esquecidas e mantêm-se propositadamente esquecidas. Pensa-se em tudo menos nas pessoas.

O que fazer com elas? A questão é sempre atirada para a frente, sem decisão, como se as pessoas não fossem o mais importante nas políticas e se que não fossem o centro de qualquer política.

Por vezes, assiste-se a um ping pong humano entre a República e a Região, inclusive, negoceiam-se contrapartidas materiais, ou seja, trocam-se pessoas por material, no fundo tratando as pessoas como bens transaccionáveis, como se pudessem fazer parte de um negócio.

A fúria reformista do Estado, cilindra valores fundamentais da nossa civilização, afoga as correntes humanistas e contabiliza economicamente as pessoas.

Isto não é reformar é deformar. Deformar pelo aumento do risco de despovoamento de muitos Concelhos dos Açores, deformar pelo crescimento da precariedade do trabalho, deformar pelas desigualdades sociais que se criam e deformar pelo desemprego que vai ganhando terreno.

Aliás, aumenta o fosso entre os ricos e os pobres em Portugal e os Açores não fogem a esta tendência. Os novos pobres e os novos desempregados existem, igualmente, nos Açores, pessoas que estão com crescentes dificuldades económicas. Mas nem todos têm razão de queixa, existem administradores de empresas públicas que continuam a ganhar milhões.

Para mais, nesta crise agravaram-se algumas condições que impedem o progresso dos Açores, desde logo, agravaram-se as ameaças ao livre pensamento, a ordem é de estar na ordem, só se pode criticar o Governo em casa. O Governo Regional percebeu que está em fim de ciclo, tornou-se mais arrogante, exige maior obediência e exige mais vénias.

As pessoas estão com medo e uma sociedade que não expressa a critica é uma sociedade condenada à estagnação socioeconómica, pois não pode inovar. Talvez seja mesmo isso que o Governo quer, porque já todos sabemos que este executivo convive mal com a crítica, na ausência de argumentos responde com os verbos e os adjectivos mais vulgares.

Voltando ao assunto que motivou este pequeno artigo de opinião, julgo ser importante reflectir sobre o facto de estamos perante politicas, que ao continuarem assim, tornam o futuro excludente para a humanização. Urge conversar sobre a reabilitação de determinados valores desta civilização.


Autor: António Ventura
Quinta-Feira, dia 09 de Abril de 2009


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